Quatro audiências no Vaticano desde 2017: Emmanuel Macron é apresentado pelo vaticanista Cyprien Viet como o presidente francês que mais o visitou. De Francisco a Leão XIV, esses encontros narram uma relação feita de proximidade, diplomacia e delicados equilíbrios em torno da laicidade.
Após seu encontro com Leão XIV em 10 de abril de 2026, o chefe de Estado deve receber o papa na França a partir de 25 de setembro. Mas entre convergências e distância institucional, as relações franco-vaticanas não se resumem a uma cumplicidade pessoal.
Emmanuel Macron e o Vaticano: quatro encontros pontifícios
Desde sua chegada ao Palácio do Eliseu, Emmanuel Macron se reuniu três vezes com o papa Francisco e uma vez com Leão XIV, de acordo com a contagem citada por Cyprien Viet. Essa frequência alimenta a imagem de um presidente particularmente atento à Santa Sé, sem que isso signifique que se apresenta como católico praticante.
Em 10 de abril de 2026, Leão XIV o recebeu no Vaticano para uma conversa privada. A paz e as questões internacionais foram mencionadas, em um encontro descrito como sóbrio. Os relatos dessa audiência podem ser encontrados em o relato do meio oficial da Santa Sé.
O papa Francisco, uma relação mais direta
Com o papa Francisco, o vínculo parecia mais caloroso e espontâneo. Emmanuel Macron, que estudou em um colégio jesuíta durante sua adolescência, tratava o pontífice argentino por “tu”, ele mesmo o primeiro papa jesuíta. Essa proximidade pessoal não apagava a distinção entre as funções: o presidente representava a República, enquanto Francisco falava em nome da Igreja Católica.
A missa celebrada por Francisco no estádio Vélodrome, em Marselha, em 2023, ilustrou esse equilíbrio delicado. A presença do presidente havia suscitado críticas em nome da laicidade. Para melhor compreender essa relação, este retorno sobre os relacionamentos entre Macron e os papas também ilumina as expectativas em torno de Leão XIV.
Leão XIV e a diplomacia vaticana: convergências e prudência
O novo papa e Emmanuel Macron exibem estilos diferentes: Leão XIV parece mais reservado que seu predecessor, enquanto o Eliseu destaca convergências intelectuais. O multilateralismo, a paz e a inteligência artificial figuram entre os temas suscetíveis de alimentar o diálogo entre Paris e o Vaticano.
Essa proximidade não transforma o pontífice em aliado político. A diplomacia vaticana se esforça para preservar sua independência e evitar que as trocas sejam aproveitadas em favor de uma estratégia nacional. O diálogo inter-religioso e as crises internacionais conferem assim às audiências pontifícias um conteúdo que vai além dos gestos protocolares.
Uma visita à França esperada, mas sem encenação comum
A visita anunciada de Leão XIV à França a partir de 25 de setembro deve incluir uma etapa parisiense e um encontro em Metz dedicado à Europa. Emmanuel Macron deve receber o papa e trocar ideias com ele no Eliseu, mas sua equipe indicou que ele não participaria das missas papais.
Um ponto de atrito diz respeito à Notre-Dame: o Vaticano não aceitou a proposta de uma passagem comum permitindo ao presidente apresentar os artesãos da reconstrução. Francisco já havia declinado o convite para a reabertura da catedral em dezembro de 2024. O contexto dessas relações por vezes contrariadas lembra que uma viagem apostólica é antes de tudo a do chefe da Igreja.
Entre afinidades pessoais e regras republicanas, a relação de Emmanuel Macron com a Santa Sé permanece um exercício de diplomacia tanto quanto um diálogo espiritual e político. Para se aprofundar na descoberta de Sébastien Auzière e da família Macron, consulte este dossiê dedicado a Macron e aos papas além de sebastien-auziere.fr.